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Praça Fonte Nova (Lisboa)

José Adrião Arquitetos

1. Antecedentes

A área onde atualmente se situa o parque de estacionamento Fonte Nova foi, até à primeira metade do século vinte, uma zona rural de quintas de produção agrícola: Quinta das Flores, Quinta dos Leões, Quinta das Rosas. Estas quintas situavam-se ao longo da Estrada de Benfica, eixo de grande importancia na relação de Lisboa com as povoações e zonas agrícolas envolventes à cidade. Os terrenos existentes no local eran férteis, devido à proximidade da Ribeira de Alcântara, e a água era abundante. A presença de água e de fontes conferiu o nome ao local. A construção de uma fonte, presumivelmente no século dezanove, deu-lhe o nome Fonte Nova, pelo qual o parque de estacionamento e o Centro Comercial são hoje em dia designados pela população. Na década de sessenta do século vinte, com a construção da Segunda Circular de Lisboa e do viaduto sobre a Estrada de Benfica, esta zona sofre uma profunda alteração. A ribeira de Alcântara é coberta, transformando-se num caneiro, os terrenos das quintas são expropriados e os seus edifícios são demolidos para a construção do viaduto. A construção da Segunda Circular provoca uma enorme rutura neste tecido urbano consolidado ao longo dos séculos. Esta rutura ainda hoje é percetível na débil relação ao nível do solo entre os edificios existentes. 

Figuras 1 y 2. Antes y después de la construcción de la Segunda Circular (izquierda – derecha respectivamente.    

Figura 1. Antes da construção da Segunda Circular(esquerda)

Figura 2. Depois da construção (direita)

Ao nível dos arruamentos existentes a alteração foi também drástica. A Estrada de Benfica foi interrompida no local exato da zona de intervenção provocando enorme rutura e descontinuidade neste eixo histórico de ligação entre Lisboa e as suas zonas periféricas que desde sempre abasteciam de produtos o centro da cidade. Atualmente esta zona tem uma ocupação quase exclusiva de estacionamento de automóveis, sem marcação de lugares. O pavimento do parque de estacionamento é em betuminoso. As zonas de comércio, habitação e serviços em ambos os lados do parque de estacionamento não têm passeio estando por isso muito dificultada a travessia de peões. As travessias de peões são feitas sem qualquer segurança para pões com mobilidade reduzida. Durante os períodos noturnos a zona tem uma iluminação muito deficiente havendo por isso um acréscimo da insegurança na zona. O parqueamento automóvel é pouco utilizado pelos habitantes da área visto que durante os períodos noturnos o estacionamento se encontra – muitas vezes- com um número reduzido de carros. A escassa qualidade urbana e de espaço público são atenuadas pela existência de um considerável maciço arbóreo de Tipuanas-tipu plantadas nos anos oitenta do século vinte. Estas árvores de porte adulto conferem à área de intervenção um ambiente de exceção e único na cidade de Lisboa.

2. Existente

A área de intervenção é constituída por zonas de caráter distinto. A zona principal é definida pela grande superfície pavimentada onde se localiza o parque de estacionamento para um número que ronda os 480 lugares. Existe uma zona secundária a sul, onde se situa a Pastelaria Califa, de menor dimensão em área mas grande importância ao nível de comércio, serviços e lazer. A restante área de intervenção são zonas de transição, ligação e confluência de diversos eixos viários a norte, sul, poente e nascente. 

Figuras 3 y 4. Vista aérea del área de intervención FG+SG © (izquierda) y área bajo la Segunda Circular antes de la intervención, Hugo Santos Silva © (derecha)   

Figura 3. Vista aérea -  Área de intervenção FG+SG © (esquerda)  

Figura 4. Área sob a Segunda Circular – Antes da Intervenção -Hugo Santos Silva ©(direita)

A área de intervenção perfaz na totalidade 33.500 m2. A zona principal é, quase na sua totalidade, pavimentada com asfalto e tem uma ocupação predominantemente funcional. O parque de estacionamento ocupa a área em quase em toda a extensão da sua superfície, sendo as áreas destinadas à estadia, circulação pedonal, e lazer residuais ou inexistentes. Nesta zona, o viaduto que passa a um nível superior, cria um ambiente pouco qualificado ao nível do solo. A presença desta enorme infraestrutura, e o ruído provocado pela intensidade fluxos viários não tiveram resolução nem enquadramento no espaço público na altura da sua construção. Este desfasamento é acentuado pela escassa manutenção da estrutura do viaduto e da iluminação.

3. Proposta

Com a proposta pretende-se equilibrar uma coexistência de funções já existentes na área de intervenção, privilegiando o espaço público pedonal de estadia e lazer em detrimento da função existente de parque de estacionamento. A grande praça estabelece-se como uma plataforma que torna a unificar os dois troços da Estrada de Benfica interrompidos com a construção do viaduto, permitindo a circulação pedonal contínua nascente/poente. Cria-se simultaneamente uma relação até agora praticamente inexistente entre o edifício do Centro Comercial Fonte Nova a poente e a banda de edifícios a nascente de serviços e comércio dinamizando e fortalecendo o comércio local. A construção da praça tira partido do coberto arbóreo existente de Tipuanas-tipu, conservando todos os exemplares e plantando novos, de modo a produzir um ambiente qualificado pelas sombras das árvores. Mantem-se o parque de estacionamento diminuindo a sua capacidade em 50 %, de 475 viaturas para 255 viaturas. Na área atualmente ocupada por carros propõe-se uma praça de grandes dimensões de modo a articular todos os fluxos pedonais e viários. Na praça criam-se zonas de estadia e lazer em pontos específicos em toda a sua extensão. Estas “ilhas” contêm programas de caráter específico que apoiam as áreas de estadia: quiosques, esplanadas, fontes, relvados, equipamentos infantis. Esta diversidade de usos Permite que se usufrua a praça de modos e tempos distintos, consoante as idades ou interesses de cada um. Procura-se um ambiente informal e prático, um usufruto ativo ou contemplativo. Pretende-se que a praça e o espaço público permitam uma apreensão fácil para todas as idades e que os seus materiais sejam resistentes e de fácil manutenção. 

Figuras 5 y 6. Isla-fuente, vista aérea FG+SG© (izquierda) y Isla-jardín al este, FG+SG© (derecha)    

Figura5. Ilha-Fonte vista aéreaFG+SG © (esquerda)

Figura 6. Ilha-Jardim Nascente FG+SG ©(direita)        

Ilhas com diferentes zonas programáticas na praça - Proposta As “ilhas são criadas a partir de bancos contínuos que as delimitam em todo o seu perímetro. Os bancos de troços retos e curvos são pré-fabricados e definidos por 4 módulos distintos, um módulo reto de 300 m de comprimento, um módulo curvo de 3 m de comprimentos e dois módulos de bancos individuais com 2 inclinações de costas distintas.Os bancos contínuos estão 10 cm levantados do pavimento de modo a permitirem a passagem de água e não acumular e sujidades. No interior das ilhas o pavimento é variável. Existem duas ilhas jardim, com grandes superfícies de prados. Outras duas ilhas têm quiosques com esplanada e são pavimentadas com cubo de vidraço. Uma com cubo de vidração novo e outra com cubo de vidraço reaproveitado do pavimente atualmente existente na zona do califa. Nesta ilha para além de se reaproveitar o material replica-se também o desenho do pavimento atualmente existente. Na zona da Pastelaria Califa propõe-se também uma ilha que tem como programa principal um Parque Infantil. Esta “ilha” procura conciliar usos distintos. Devido à proximidade entre as esplanadas dos dois cafés existentes e o Parque Infantil, os pais ou encarregados podem estar no café sem perder de vista as crianças. Numa das ilhas prevê-se a colocação de uma fonte com repuxos de água de modo a criar um ambiente sonoro de água que atenue o ruído dos carros na segunda circular. Esta fonte poderá ser usada durante o período de verão. A fonte serve também para reforçar o novo nome da Praça Fonte Nova. No extremo poente da área de intervenção propõe-se a colocação de uma ilha com um Parque Canino. Julga-se que deste modo, para além de a grande praça poder ter a capacidade de absorver diferentes usos dentro da praça conferem a diversidade desejada com a proposta.

Figuras 7 y 8. Isla fuente. FG+SG ©    

Figura 7. Ilha Fonte FG+SG © (esquerda)

Figura 8. Ilha-Fonte FG+SG ©(direita)

Prevê-se que o viaduto seja usado como área informal de prática desportiva e para isso propõe-se um campo de basquete de uso livre. O viaduto será fortemente iluminado durante o período noturno de modo a que a zona de desporto informal seja usada a qualquer hora do dia. Toda a praça terá uma iluminação geral feita por luminárias colocadas em postes de 6 metros de altura. Estes postes – por estarem entre as copas das árvores adultas já existentes – vão reforçar a iluminação nas copas das árvores. As luminárias são constituídas por focos direcionáveis podendo por isso ser criada uma iluminação pontual do pavimento ou de uma copa específica. Os postes de 6 metros de altura vão também estar colocados dentro das “ilhas” de modo a criar situações de maior intensidade de luz em zonas de estadia. As situações de percurso terão uma luminosidade mais ténue. Procura-se que a zona principal da praça se ligue a zona do Califa, criando uma total continuidade no pavimento com a superfície única de betão. Para isto propõe-se que exista uma passadeira de grandes dimensões a ligar os dois pavimentos. Todos os pavimentos são ao mesmo nível, transformando esta zona numa área de mobilidade universal. As únicas situações de desnível propostas localizam-se na relação com o arruamento principal que passa sob o viaduto, R. Prof José Sebastião e Silva/ Estrada de Benfica. Dispersas pontualmente pela superfície da praça propõe-se a colocação de bebedouros, papeleiras e estacionamento de bicicletas.

4. Materiais 

Propõe-se que a grande superfície de pavimento da Praça seja executada em betão contínuo. Este pavimento permite uma drenagem superficial eficaz, devido à escassa rugosidade, possibilitando uma rápido escoamento das águas pluviais para as caixas de drenagem. Este pavimento, de fácil manutenção e limpeza, permite também uma excelente mobilidade universal. Será também possível utilizar a Praça como zona de recreio informal, com patins e Skates, promovendo este espaço como zona de encontro entre as camadas mais jovens residentes e das 3 escolas públicas existentes nas proximidades. Nas zonas de estacionamento propõe-se um pavimento de cubos de granito 10 x 10 cm, quer nas zonas de estacionamento quer nas zonas de circulação automóvel. As marcações dos lugares são feitas com cubo de vidraço. Existe uma faixa de mobilidade confortável em cada via de acesso ao estacionamento com lajetas de granito. No perímetro de toda a praça existe uma faixa de dimensão variável de cubo de vidraço. Esta faixa permite criar zonas de condutas subterrâneas com o pavimento à superfície reposicionável de modo a não afetar o pavimento contínuo de betão. Existem também junto aos edifícios poente e nascente faixas de pavimento de betão reforçado de modo a permitir o acesso de viaturas de emergência e carros de bombeiros. Em todas as zonas de remate da área de intervenção com as áreas adjacentes propõe-se o uso de calçada de modo a permitir uma continuidade ao nível de pavimentos. A nova calçada deverá ser feita a partir da reutilização dos pavimentos de calçada existentes. 

Figuras 9 y 10. Ciclovia (izquierda) y parque canino (derecha), FG+SG ©   

Figura 9. Ciclovia -FG+SG © (esquerda)

Figura 10. Parque Canino -FG+SG ©(direita)

5. Plano De Arborização 

A proposta para a Praça da Fonte Nova prevê a preservação do maciço de tipuanas existente que constitui um património único na cidade. Esta espécie, originária da América do Sul, pode atingir grandes dimensões, altura e diâmetro de cerca de 25m e apresentam uma longevidade de cerca de 200 anos. Tendo sido plantado há cerca de 40 anos, este conjunto notável de árvores da Alameda Manuel Ricardo Espírito Santo, é constituído por exemplares ainda jovens.

Figuras 11 y 12. Isla quiosco, FG+SG © (izquierda) y planta general, JAA © (derecha).    

Figura 11. Ilha-Quiosque e CicloviaFG+SG © (esquerda)

Figura 12. Plano Geral - JAA © (direita)

Além da preservação da maior parte dos exemplares arbóreos existentes neste espaço, a proposta introduz dois novos alinhamentos de lódãos no troço nascente da Estrada de Benfica e um novo maciço de freixos no interior da nova rotunda. Sendo este espaço coincidente com o antigo traçado da ribeira de Alcântara - o DiccionarioEtnographico de 1870 chama à ribeira "Rio de Benfica” sugerindo, talvez, uma designação que lhe era atribuída naquela zona – as novas superfícies orgânicas que se conformam na praça são plantadas com espécies características das zonas húmidas, como os lírios, os acantos, os espargos, a ajuga, os carex, os juncos, a menta, os orégãos, a vinca e o salgueiro-anão. A seleção deste elenco de espécies ribeirinhas prende-se com o fato de procurarmos evocar a aptidão e vocação deste espaço de paisagem, enquanto zona de escoamento da água, relativamente ao qual a introdução destas espécies é a manifestação à superfície desse mesmo funcionamento, atualmente artificializado.

Figura 13. Isla quiosco, al este, FG+SG ©
Figura 13. Ilha Quiosque Nascente - FG+SG ©
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Directora: María A. Leboreiro Amaro, Dra. Arquitecto. Profesora Titular de la E.T.S. de Arquitectura de Madrid
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José Mª Ezquiaga Dominguez. Dr. Arquitecto. Profesor Titular de la E.T.S. de Arquitectura de Madrid
José Fariña Tojo. Dr. Arquitecto. Catedrático de la E.T.S. de Arquitectura de Madrid
Fernando Fernández Alonso. Arquitecto. Profesor Asociado de la E.T.S. de Arquitectura de Madrid
Josep Mª Llop Torne. Arquitecto. Profesor en la Facultad de Geografía de la Universidad de Lleida
Javier Ruiz Sánchez. Dr. Arquitecto. Profesor Titular de la E.T.S. de Arquitectura de Madrid
Secretaría: Llanos Masiá
Edita: planur-e
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Traducción: planur-e
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