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Parques ribeirinhos. Parque Urbano do Ribeiro do Matadouro – Fase 1

Reinventar a cidade pelo espaço público

Ana Sofia Pacheco + Bruno Vaz Sousa + Gilberto Pereira + Victor Esteves


1. Situação Existente

1.1. Análise

De topografia relativamente pouco acidentada, o terreno experiencia de alguma diversidade altimétrica, reflexo da situação geográfica em que se encontra e reflectindo o carácter de zona baixa encaixada. Quase toda a área engloba-se entre as cotas 40 e 43, surgindo os pontos mais baixos no leito da ribeira e zona marginal, e os mais elevados entre as cotas 44 e 45 remate com a malha urbana.

Verificam-se várias zonas de encharcamento em resultado das linhas de escorrência natural, e de outras criadas por transformações no relevo natural (construções na envolvente e aterros). Estes espaços embora de carácter temporário, são ao longo de todo o ano zonas húmidas preferenciais, que criam pequenos nichos, que por sua vez condicionam e potenciam a proposta.

As características edafo-climáticas especificas do local, permitiram o desenvolvimento de uma estrutura arbórea com carácter formal e ecológico bastante interessante, composta sobretudo por exemplares de Alnus glutinosa e Salix atrocineria, sendo que mais do que os exemplares em si, o que realmente é interessante são os núcleos por eles formados que garantem consistência formal e visual ao espaço e sobretudo toda uma dinâmica ecológica.

A infraestrutura de maior relevo na área de intervenção é a Ponte de Frádegas, que é um corte abrupto de grande impacto no terreno e que terá de ser alvo de estudo na ligação à Fase 2 do Parque. 

Figura 1. Entrada naciente – situación previa.
Figura 1. Entrada nascente – situação prévia.
Figuras 2, 3 y 4. De izquierda a derecha, Puente de Frádegas, Camino central del parque y zonas inundables.        
Figura 2. Ponte de frádegas (direita);  Figura 3. Caminho central do parque(centro); Figura 4. Zonas inundáveis (esquerda)
Figura 5. Análisis de las líneas de escorrentía y de las zonas de retención de agua.
Figura 5. Análise às linhas de escorrência e zonas de retenção de água 

2. Proposta

2.1. Principios do projecto

Os princípios de projecto baseiam-se no desenvolvimento de um espaço recreativo e pedagógico, que interprete o existente e lhe confira organização, dotando-o de legibilidade nas suas várias escalas. Aliado a estes princípios está a experimentação de novas soluções construtivas e de gestão racional dos recursos, contribuindo positivamente para uma baixa manutenção.

As linhas orientadoras para a elaboração do desenho resultam da leitura do espaço existente, das suas condicionalidades e potencialidades. Enquanto espaço com ampla relação com os elementos naturais, pretendeu-se salientar os mesmos, criando um parque direcionadopara a interpretação da Natureza, mas não fechado sobre si mesmo, aberto à população, para uma interacção directa e indirecta com esta, estimulando formas activas e passivas de recreio.

As camadas de intervenção pretenderam consolidar e gerir esta base inicial com vista à:

• criação de percursos interpretativos que estimulem as relações com as zonas húmidas;

• implantação de uma ciclovia que epotencie a conectividade com outros equipamentos na cidade;

• preservação dos núcleos arbóreos pré-existentes;

• estruturação de um desenho principal de actuação ao nível da vegetação (tipologias de vegetação).

• integração das orientações definidas na “Agenda 21 local”, nomeadamente a associaçãodeste espaço à rede de caminhos e a percursos temáticos já existentes no Concelho;

• enquadrar o espaço na rota da Meca dos escultores, aliando à rede caminhos, molduras em fibra de vidro, que enquadrem os “quadros naturais” existentes na área. 

2.2. Objectivos do parque

Os objectivos do parque sistematizam-se em três componentes: ecológica, social e económica.

A nível ecológico o parque pretendeu requalificar ambientalmente uma área em degradação com potencial, através limpeza selectiva, eliminação de árvores em mau estado fitossanitário e da reestruturação de uma composição vegetal estratificada. Estas acções permitirão ampliar o número de nichos ecológicos aumentando assim a biodiversidade e estabelecendo uma rede consolidada e legível.

A nível social o parque apresenta-se como um local pedagógico, sensibilizando sobretudo para a interpretação das zonas húmidas e do sistema a elas associado. Assim, o Parque mais do que um equipamento verde de referência é também uma veia para ensinar e consciencializar para boas práticas ambientais e estimular o interacção com a Natureza. Como Equipamento público é sempre um espaço democrático de encontro que possibilita diferentes tipos de recreio e abrange várias classes sócias e etárias.

Economicamente prevê-se uma promoção a nível local e regional, atraindo diferentes públicos pela sua vertente pedagógica e recreativa. O conjunto de intenções para a requalificação do ribeiro do Matadouro, complementarão a oferta com cafetaria, salas de exposição, conferências, entre outras que permitirão dinamizar economicamente toda a intervenção.

Figura 6. Plano general de intervención.
Figura 6. Plano geral de intervenção 

2.3. Entradas, estacionamento e condicionalismos ao uso

A entrada a norte articula o parque com o centro cívico da cidade e com vários equipamentos estruturantes dos quais se destacam a Câmara Municipal, Escola Agrícola e Mosteiro de São Bento. Esta entrada confronta com a ER319, que para além de ser um ponto de distribuição viária é também de um ponto de passagem de vários percursos pedonais já existentes no circuito turístico do munícipio.

Figura 7. Entrada norte.
Figura 7. Entrada norte 

Na entrada poente, encontra-se um parque de estacionamento com um número limitado de lugares. Esta entrada estabelece a ligação do Parque com a ‘Cidade Desportiva’, (Polidesportivo exterior e as Piscinas Municipais). Esta entrada também se revela importante para o novo edifício da Portugal Telecom, o qual alberga um vasto número de trabalhadores, para os quais um espaço verde de proximidade é sempre um elemento descompressor. 

Figura 8. Entrada oeste – plaza principal y zona de estacionamiento.
Figura 8. Entrada poente – praça principal e zona de estacionamento

A entrada a este é uma entrada secundária que permitirá uma ligação exterior directa entre a Casa da Juventude e o parque.

A vedação foi trabalhada na óptica de encarar este elemento não como uma barreira visualmente agressiva, mas como um elemento dissuasor com carácter escultórico. Propõe-se uma alternativa personalizada e perfeitamente integrada dentro da linguagem de toda a intervenção. 

Figura 9. Vallado – vista de la entrada oeste y la plaza principal.
Figura 9. Vedação – vista para a entrada poente e praça principal.

2.4. Modelação do terreno

O terreno para implantação de projecto experiencia alguma diversidade altimétrica, desenvolvendo-se num intervalo de cotas entre a 53.40 e a 39.50. As cotas mais elevadas são encontradas nos limites da área de intervenção, enquanto os pontos mais baixos localizam-se junto ao ribeiro, na área central e nordeste do terreno. 

O objectivo da modelação proposta foi:

• resolver desníveis altimétricos entre as cotas do parque e as suas várias entradas;

• permitir a instalação de percursos pedonais acessíveis;

• instalar uma ciclovia num intervalo de cotas harmonioso;

• regularizar os perfis de terreno, contribuindo assim para a diminuição da erosão do solo;

• conduzir águas e dar legibilidade às zonas encharcáveis.

O maior esforço de modelação verifica-se na articulação do parque com as entradas, uma vez que são os pontos onde a diferença altimétrica é maior, mesmo assim, a proposta para a modelação foi elaborada em harmonia com as pré-existências e com a noção da preservação das características do solo.

Os movimentos de terra respeitam as pendentes naturais do terreno, a sua relação com os pontos fixos e naturais a preservar, tendo-se sempre uma particular preocupação pela relação de quantidade de área escavada e aterrada, e pela adequação do espaço às suas funções.

2.5. Percursos e acessibilidade

Aintenção do projecto foi tornar a maioria da área acessível a pessoas com mobilidade condicionada e garantir entradas acessíveis. 

Existem duas tipologias de percursos no parque: pedonais e cicláveis, que permitem viver o parque a diferentes velocidades, devidamente identificados por elementos de sinalética.

Em relação á circulação pedonal, existe apenas um percurso principal, transversal a todo o parque, que se desenvolve a cotas homogéneas na sua maior extensão com maior diversidade altimétrica na relação com as entradas a cotas superiores. Este percurso, segue na sua maior extensão paralelo ao ribeiro, aproveitando um caminho de serventia pré-existente, e tem como principal objectivo conectar internamente os diferentes elementos do parque e relacioná-los com envolvente. 

Figura 10. Recorrido principal paralelo al arroyo de Matadouro.
Figura 10. Percurso principal paralelo ao ribeiro do Matadouro

Os percursos secundários, transversais ao principal, experienciam uma maior diversidade altimétrica em menor extensão e são os mais didácticos com associações às estruturas interpretativas.

Figura 11. Recorridos secundarios de carácter exploratorio.
Figura 11. Percursos secundários de carácter exploratório

O traçado da circulação é fortemente geométrico, condicionado pelo tipo de materiais construtivos a aplicar, contudo, transmite dinâmica pelas suas torções, alargamentos e estreitamentos. Nos seus alargamentos formam pequenas praças de encontro e de estadia. 

Aponta-se um atravessamento do ribeiro, a este, efectuado através de um pontão em perfis de ferro. Na elaboração do pormenor houve a preocupação de afastar da ribeira as fixações ao solo da estrutura de suporte. Sobre a estrutura assentam-se módulos pré-fabricados em betão, de forma a manter a mesma linguagem dos restantes acessos. Entre os módulos de betão, existem juntas que permitem a livre passagem da água.

Figura 12. Recorridos secundarios de carácter exploratorio.
Figure 12. Percursos secundários de carácter exploratório

A ciclovia, inicia-se na entrada a Oeste no parque e desenvolve-se através de uma série de rampas até à entrada Norte, implantando-se no terreno junto ao limite noroeste. Este facto é justificado por ser uma zona seca e onde a relação de cotas é mais interessante para o seu desenvolvimento. Este corredor, será também utilizado para a circulação de veículos de emergência e de máquinas/veículos de manutenção.

Figura 13. Recorridos secundarios de carácter exploratorio.
Figura 13. Percursos secundários de carácter exploratório

2.6. Pavimentos

Dadas as características do terreno, e uma vez que estamos numa zona húmida, com fortes condicionantes naturais e até legais é necessário prestar um particular cuidado à selecção dos materiais, tanto para a preservação dos recursos do solo, como para a sua preservação no tempo, aliada a baixas necessidades de manutenção. Assim a aposta recai sobretudo nos materiais permeáveis que permitam a adequação às diferenças altimétricas do projecto sem comprometer a estabilidade do sistema. 

A grande ‘’mancha’’ de pavimento impermeável surge com a Praça de entrada a Oeste. Este facto é justificado sobretudo por ser uma zona de intensa circulação, que engloba circulação pedonal, ciclável e automóvel, incluindo estacionamento. Assim, optou-se por um pavimento que permitisse albergar todas estas funções, e que ao mesmo tempo formasse uma superfície lisa e contínua, tanto física como visualmente. Propõe-se a utilização de uma betonilha hidráulicaque se estendepor toda a praça, permitindo a obtenção de uma superfície confortável e de fácil utilização.

Para a ciclovia propõe-se o betão poroso, que permite obter uma superfície contínua, uniforme e de rápida circulação. 

Nos caminos pedonais propos-se utilização de uma estrutura elevada em relação à cota do solo – funcionando como passadiço. Sobre esta estrutura assenta um reguado em perfis de compósito de madeira. 

Em toda a área de estudo, e especificamente em zona abrangida pela REN, a fixação da estrutura ao solo far-se-á através de estacas de pinho marítimo enterradas, de forma a não comprometer a permeabilidade do solo.

Para o revestimento da estrutura, tendo este parque uma forte orientação para a experimentação e sustentabilidade, optou-se por um compósito reciclado de madeira, obtido a partir de resíduos, compoucamanutenção e com alta resistência aos agentes atmosféricos. A cor, cinza-negro, segue a mesma tonalidade dos pavimentos em betão e permitem um maior contraste com a vegetação na Primavera/Verão, e uma integração harmoniosa nos períodos em que as silhuetas escuras das árvores dominam o campo visual do Parque. 

As entradas Norte e Nordeste (junto ao Centro de Pedagogia Ambiental/Sede do Concelho de Juventude), por motivos altimétricos terão de ser efectuadas por degraus que se prevêem em blocos pré-fabricados de betão preto, assentes sobre uma estrutura metálica. No talude Este, devido à proximidade à ribeira e para evitar movimentos de terra, propõe-se o assentamento dos degraus sobre uma estrutura em ferro, que penetra pontualmente o solo.

Na zona Nordeste, junto ao grande maciço de salgueiros pré-existentes, propõe-se a colocação de ‘’salta-pocinhas’’, através de elementos em betão pré-fabricado, que serão perfurados de forma a permitir a passagem da água. Assim, faculta-se um percurso diferente, onde se pode explorar, de perto, o maciço formado pela vegetação.

Figura 14. Recorrido a través de los elementos que permiten saltar sobre los charcos.
Figura 14. Percurso pelo salgueiral através de salta-pocinhas 

2.7. Estruturas interpretativas

As estruturas são elementos que dotam a intervenção de um carácter escultórico e o se justificam dentro do conceito de enquadramento na Agenda 21 para a ‘Rota das Esculturas’. Este facto realça uma tradição já associada à imagem da cidade, que agora pode encontrar neste espaço uma representação.

As estruturas, com estrutura em ferro, são revestidas em fibra de vidro moldada em fábrica. A cor forte do revestimento, perimite destacar as estruturas entre os maciços de vegetação e para conduzir o olhar ao longo do espaço. Mas as estruturas não só elementos escultóricos, associado a elas acontecem todos os outros equipamentos urbanos: bancos, papeleiras, sinalética e sistema multimédia. Num jogo de faces, módulos e torções, as elevações que formam janelas para a paisagem descem para formar bancos e destes encontram a cota do solo através de plataformas.

As faces são aproveitadas para conter indicações de circulação, informação referente às espécies de zona húmida, as estruturas albergam também um sistema de som que permite ao visitante uma maior interactividade com o parque/vegetação. 

Figuras 15 y 16. A la izquierda, estructuras interpretativas – maqueta. A la derecha, ejecución de la estructura prefabricada.    

Figura 15. Estruturas interpretativas -  maquete (direita)

Figura 16. Estruturas interpretativas – execução da estrutura pré-fabricada (esquerda)

Figura 17. Instalación en obra de las estructuras interpretativas.
Figura 17. Estruturas interpretativas -  instalação em obra
Figura 17. Instalación en obra de las estructuras interpretativas.
Figura 18. Estruturas interpretativas -  revestimento com fibra de vidro

2.8. Vegetação

Houve um cuidado na implantação do traçado e na colocação das estruturas de forma a minimizar os conflitos com as pré-existências. 

Figura 19. Protección de los árboles existentes durante la obra.
Figura 19. Protección de los árboles existentes durante la obra.

Assim em termos de estrato arbóreo enfatiza-se a consolidação com árvores de zona húmida como os Salgueiros, Amieiros, Ulmeiros, Freixos, Choupos brancos e Choupos negros.  

Nas zonas secas haverá espaço para a introdução de mais alguma diversidade, com novas espécies como o Carvalho, Bétula, Magnólia, Bordo, Carpa, Faia, Cornizo, Tramazeira e Cerejeira.

Aposta-se maioritariamente em árvores caducas, pois permitem um maior enquadramento no espaço, com os seus jogos de silhuetas no Inverno, as suas folhas verde-claro no despontar da Primavera e com as suas variações ao logo dos ciclos. Como é uma área relativamente ensombrada pelo coberto arbóreo existente, a predominância de árvores caducas permitirá também a introdução de luz no Outono/Inverno.

No talude oeste, propõe-se a instalação de um pequeno Vidoal. A ideia é usufruir do maciço formado pelos troncos brancos das bétulas, da leveza da sua copa, e dos verdes e amarelos da sua folhagem. Pensa-se que o efeito da plantação mono-específica, em conjugação com o verde-escuro do zimbro e do dourado do penisseto, provocará um forte efeito visual, de grande contraste com o pavimento cinza-escuro. 

Figura 20. Vegetación en la plaza de entrada.
Figura 20. Vegetação na praça da entrada 

Na zona central do parque, plantam-se maciços de faias, choupos-brancos e choupos-negros. A intenção desta plantação mono-específica e densa, é a de exaltar o carácter do conjunto formado pela espécie, e estimular o seu crescimento enquanto agrupamento, à semelhança do que se verifica actualmente no terreno.

Propõe-se para a orla, magnólias, cornizos, tramazeiras e cerejeiras para dotar o parque de alguma floração, que é sempre um elemento de interesse ao longo do ano.

Para o estrato arbustivo de grande porte, adoptam-se espécies do tipo azevinho, loureiro, buxo, laranjeira-do-méxico e griselina entre outras. 

Nas zonas mais húmidas, plantam-se loendros e salgueiros-anões, que trarão cor às margens, com a floração exuberante do loendro e no Inverno com a cor vermelho-alaranjado dos salgueiros.

Para os estratos inferiores, propõe-se um cenário dominado por herbáceas de zona húmida e de margem como as Tabua, Lírio-dos-pântanos e Junco. Introduzem-se depois, em manchas mono-especificas ou em associações Hostas, Lírios, Angélicas, Dedaleiras, Ajuga, Menta, Crocosmia, Ligulária, Fetos, entre outros. O objectivo é o de aumentar a biodiversidade, introduzir cor, forma e textura. Considera-se, que estes exemplares e a sua conjugação enquanto ‘’mancha de plantação’’, enriquecerão a experiência de viver a ‘’zona húmida’’ do parque.

Figura 21. Vegetación de zona húmeda.
Figura 21. Vegetação de zona húmida 
Figuras 22 y 23. Vegetación herbácea y notas de color.   

Figura 22. vegetação herbácea (equerda)

Figure 23. Vegetação herbácea – apontamentos de côr (direita)

A envolver estas grandes manchas de plantação, encontram-se maciços de transição para a zona seca como o Carex e Molinia. Este conjunto atribui diversidade textural e cromática ao espaço, enchendo-o de verdes mais ácidos, castanhos-escuros e amarelos.

A revestir os taludes a noroeste foram plantadas sub-arbustivas que permitirão a consolidação destes. Na zona mais a sul a área de com prado em crescimento controlado que permitie um recreio mais activo ou um simples apanhar sol antes de iniciar o percurso pela zona húmida. 

2.9. Água

Um princípio chave do projeto foi assegurar a gestão efeciente da água no espaço, de modo a não sobrecarregar o curso de água que o atravessa e, ao mesmo tempo, diminuir a possibilidade de inundações nas zonas localizadas a jusante do área de intervenção. Para atingir esses objetivos, foram consideradas soluções de drenagem urbana sustentável.

Uma grande parte da área do projeto está localizada numa zona baixa, que sofre de problemas ocasionais de inundação. Antes da intervenção, existiam algumas áreas que por vezes inundavam, essas áreas foram identificadas e integradas no desenho do parque. Com pequenas ações de modelação do terreno, foram criadas bacias de retenção de água e infiltração, com o objetivo de aumentar a capacidade de armazenamento da água da chuva neste espaço e reduzir e / ou regular os fluxos de escoamento para o ribeiro, contribuindo para a minimizar o efeito de cheia, garantindo a estabilidade do solo. A água das áreas impermeáveis, nomeadamente a praça de entrada oeste, encaminhou-se para as zonas mais baixas do parque, sendo mantida no parque. Ao longo da ciclovia foi considerada uma trincheira em gravilha (dreno filtrante), para promover a acumulação linear e vertical da água no solo.

Figura 24. Cuencas de retención / charcas temporales.
Figura 24. Bacias de retenção / charcas temporárias

A fim de melhorar a qualidade da água, incentivar a criação de habitats e aumentar a biodiversidade, foi promovida a plantação nessas áreas com plantas de fito-depuradoras. O projeto também considerou a consolidação da vegetação ripícola existente e a introdução de outras espécies nativas com elevadas taxas de evapotranspiração.

Ao nível da rega o sistema é automático, e permite gerir de modo mais eficazmente a quantidade de água que é necessária para manter a humidade no solo, e qual o tipo de rega mais adequado a cada tipologia de vegetação.

Assim, nas áreas de plantação herbácea/arbustiva (talude Oeste e Noroeste) foi proposta rega localizada. Os maciços propostos, são pouco exigentes em água, sendo esta importante  numa fase inicial de adaptação das plantas ao local. Depois deste período (cerca de 2anos), é apenas necessário regar esporadicamente, nos períodos mais quentes.

O sistema está desenhado para abranger grandes áreas, independentemente do tipo de vegetação a instalar, isto porque o objectivo é de dotar o solo de alguma humidade e não de regar especificamente os maciços por tipologia. Assim, colocam-se os pulverizadores/aspersores, com uma geometria suficientemente abrangente que permitir uma rega a partir dos pontos mais altos para as depressões. Os prados serão regados da mesma forma, com o objectivo de estimular a regeneração natural, e de ter as gramíneas mais ‘’tenras’’ durante os períodos mais secos, de forma a facilitar a manutenção e os cortes periódicos.

2.10. Iluminação

A proposta para a iluminação apostou em luminárias de baixo consume LED, que permitem uma melhor gestão da energia, para além de usufruírem de uma tecnologia que permite uma baixa manutenção. Encontramos as seguintes tipologias: iluminação por poste alto (estacionamento e ciclovia), iluminação de orientação (escadas e passadiços) e iluminação de cénica (estruturas interpretativas) e de orientação/marcação (praça).

Figura 25. Vista nocturna desde el recorrido principal
Figura 25. Vista noturna a partir do percurso principal

Na praça, joga-se com a iluminação de pavimento, através de fitas de leds encastradas em calhas. O objectivo é de ter linhas contínuas de luz, integradas na linguagem da intervenção, prescindindo de elementos soltos que poluiriam visualmente o espaço. Assim, ambiciona-se um efeito nocturno de forte interesse, que realce a estereotomia da área pavimentada e que ao mesmo tempo oriente para as escadas e rampas.

Figura 26. Iluminación de la plaza.
Figura 26. Iluminação na praça

2.11. Equipamentos e sinalética

A maior parte do equipamento urbano está incorporado nas estruturas interpretativas, desde o banco, à papeleira, ao sistema sonoro e à sinalética vertical.Fora das estruturas estão presentes os estacionamentos para bicicletas; bebedouros, guarda-corpos; vedação; caldeiras; dissuasores de estacionamento; ecoponto, marcos de incêndio e ‘‘mupis’’. O conteúdo presente nos ‘’mupis’’ permite aos visitantes conhecerem o parque e e divulgar o concelho / região.

Desenvolveu-se uma linguagem para a sinalética do parque que assenta no modelo apresentado no concurso ‘’Europan9’’. A ideia explorada em concurso baseia-se nas diferentes velocidades a que uma paisagem pode ser percepcionada. Assim, trabalhou-se com o modelo global de símbolos – PLAY, STOP, PAUSE e FASTFOWARD. 

Figura 27. Señalización.   
Figura 27. Sinalética

Associam-se estes elementos às estruturas interpretativas através da estampagem, ao pavimento em compósito através da substituição pontual dos perfis por blocos pré-fabricados onde a sinalética está gravada a baixo-relevo com chapa de ferro. O mesmo acontece para o pavimento em betonilha, onde os símbolos são maiores, uma vez que são percepcionados a uma distância e velocidade diferente dos restantes, como por exemplo por quem percorre a ciclovia. Os símbolos orientam os visitantes pelo espaço ao mesmo tempo que interagem com ele nos momentos a parar, onde voltar para trás ou acelerar. Houve a preocupação de seleccionar materiais resistentes tanto ao tempo como a acções de vandalismo, adoptando-se o ferro metalizado, ferro fundido e aço galvanizado.

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José Mª Ezquiaga Dominguez. Dr. Arquitecto. Profesor Titular de la E.T.S. de Arquitectura de Madrid
José Fariña Tojo. Dr. Arquitecto. Catedrático de la E.T.S. de Arquitectura de Madrid
Fernando Fernández Alonso. Arquitecto. Profesor Asociado de la E.T.S. de Arquitectura de Madrid
Josep Mª Llop Torne. Arquitecto. Profesor en la Facultad de Geografía de la Universidad de Lleida
Javier Ruiz Sánchez. Dr. Arquitecto. Profesor Titular de la E.T.S. de Arquitectura de Madrid
Secretaría: Llanos Masiá
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